• Fábio Moraês

Bacurau está em cada um de nós


Bacurau é a denominação de aves caprimulgiformes, de plumagem macia e hábitos noturnos e uma acentuada característica mimética que as confunde facilmente com gravetos e folhas secas (Michaelis).


Bacurau também é o novo filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles e retrata o Brasil esquecido, oculto nas entranhas do sertão pernambucano. Igual à Surubim, uma cidade que tive o prazer de conhecer, encravada também no interior de Pernambuco. Fui até lá para ajudar os aposentados rurais a contratar o crédito consignado de forma consciente.


A obra nos remete ao Brasil que não é lembrado. Aquele presente apenas nas estatísticas demográficas. Como se não existisse. Um mimetismo semelhante à pequena ave sertaneja. De Tarantino a Glauber Rocha, passando por Graciliano Ramos.


Começa como um drama regional, descamba para um enredo típico de filmes B americanos e tem um final apoteótico temperado por um clima de Canudos e do cangaço de Lampião.


O autoconhecimento deveria ser um exercício de identificação. Uma prática despertadora da mais sublime descoberta: quanto mais procuramos saber quem e como somos, mais constatamos nossa unidade como espécie e com as demais também.


Bacurau aguça as contradições, mas deixa claro que a vida dos seres escondidos ou que saem apenas a noite é um reflexo de cada um de nós. Ela é o alter ego das demais alamedas e avenidas. Todas formam a Via Ápia da pós-modernidade.







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