• Fábio Moraês

Joaquin Phoenix mostrou o que é ser disruptivo


Sempre tive dificuldade em entender disruptivo os sistemas digitais, os óculos de realidade virtual ou a inteligência artificial. Isso tudo vai fazer o mundo melhor? As pessoas serão mais felizes e conscientes do seu papel?


A fala de Joaquin Phoenix conseguiu tocar-me profundamente e dar pistas do caminho que os cientistas sociais, acadêmicos, empresários e políticos deveriam percorrer para uma realidade disruptiva.


Phoenix defendeu os excluídos, marginalizados e as espécies animais que hoje são escravas dos seres humanos.


"Com podemos ter a crença", indagou Phoenix, "que estamos no centro do Universo"?

Ele explicitou o grande drama da humanidade, seu sentimento de separatividade, desconexão com o todo, "Acredito que nos desconectamos demais do mundo natural".


E finalmente, Phoenix mostrou um caminho, que não é novo, mas ainda reside apenas no desejo dos ativistas e militantes da luta pela nossa evolução civilizatória, priorizar o amor e a compaixão nas relações humanas, "quando usamos amor e compaixão como nossos princípios, podemos criar, desenvolver e implementar sistemas de mudança que são benéficos para todos os seres e ao meio ambiente".


Seja disruptivo, invista em autoconhecimento. Vale mais do que qualquer papel ou título público e vai com você quando passar dessa para outra realidade... rs


Leia abaixo os principais trechos da fala de Joaquin Phoenix no Oscar 2020.


Não me sinto acima de nenhum dos outros indicados ou de qualquer outra pessoa nesta sala (...) mas acho que o maior presente que me deu, e a muitos nessa sala, é a oportunidade de usar nossa voz pelos que não têm (...) seja falando sobre desigualdade entre gêneros, racismo, direitos LGBTQ+ ou indígenas, direitos dos animais, estamos falando sobre lutar contra a ideia de que uma nação, uma raça, um gênero ou uma espécie tem o direito de dominar, controlar, usar e explorar outros sem impunidade. Acredito que nos desconectamos demais do mundo natural, e nos sentimos culpados por ter uma visão egocêntrica, a crença de que estamos no centro do universo (...) entramos no mundo natural, roubamos seus recursos. Nos sentimos no direito de inseminar artificialmente uma vaca e então roubar seu bebê quando ele nasce, mesmo que seus gritos de angústia sejam perceptíveis. E então bebemos o leite que é destinado ao bezerro e colocamos em nosso café e cereal (...) quando usamos amor e compaixão como nossos princípios, podemos criar, desenvolver e implementar sistemas de mudança que são benéficos para todos os seres e ao meio ambiente.”

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