• Fábio Moraês

Como eu encarei o filme do Coringa



Sandra Falâmgâ


Domingo a tarde, vou ao cinema. Escolho "O Coringa," porque sempre me pareceu um personagem macabro. Fui pela curiosidade em conhecê-lo melhor. Lugar já reservado, me acomodo, começa o filme.


A trama se desenvolve e seguem inúmeros acontecimentos na vida do personagem central, um doente, que a todo custo tenta se inserir na sociedade. Seu esforço em ter que parecer normal e seu sofrimento por saber não ser. Os acontecimentos negativos, a falta de assistência psiquiátrica por parte do estado, corroboram para a piora do quadro mental. Até que o próprio começa a resolver seus conflitos emocionais, da forma que lhe parece mais adequada.


O personagem acredita que a solução escolhida contra seus desafetos, faria com que a dor de sua alma fosse aplacada. Sua lucidez e loucura se alternam e oferecem em meio ao caos, uma crítica profunda às diferenças sociais.


A violência do filme e o excesso de sangue no melhor estilo americano, agridem. Não menos do que a realidade crua, que leva a refletir sobre todas as formas de exclusão. É preciso mesmo amar as pessoas, não só aquelas que nos cercam e que nos são boas. É preciso mesmo amar aqueles que mais necessitam, mesmo que sejam difíceis de serem amados. Os excluídos de toda sorte, material, emocional ou psicológica.


Lembro que nem sempre comportamentos sociais dentro dos padrões, inteligência privilegiada, significa saúde mental. Mesmo nas classes dominantes, vide o número de líderes de empresas e países com as mais diversas psicopatias, encobertas por um verniz de formação e cultura. Assim, para uma análise mais profunda, convido os amigos da área de psicologia a continuarem.


Deixo apenas as impressões de quem se encanta com as inúmeras possibilidades de reflexão que a arte pode proporcionar. Creio que, se qualquer experiência artística provocar alguma mudança positiva de comportamento, ela estará cumprindo seu papel. O filme acaba, com um final imprevisto.


Saio do cinema julgando a produção violenta, um certo desconforto. Mas ao cruzar a porta da sala, retomo a vida e sigo confortável pra casa. Pelo caminho, agradeço por todas as bênçãos que coleciono na vida. Ultimamente tenho me envergonhado de reclamar de pequenas dificuldades. A maturidade tem me causado maior compaixão e gratitude.


Em suma, pesado...mas muito bom filme.

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